ENTRETENIMENTO

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19/10/2018 | 16h10 | Jonatas Seixas

Uma pequena crítica ao cinema até a década de 1960


Divulgação

Tempos Modernos (1936) é aquele tipo de filme, que mesmo você não tendo o visto, você já ouviu falar dele. Embora o filme seja da segunda parte da década de 1930, ele segue o mesmo modelo de filme prática nas últimas décadas inicias do século passado.

 

São cenas dinâmicas, pois Chaplin nunca parece conseguir ficar quieto. Como ter um formiguinha no rabo. Ao mesmo tempo, as câmeras não se projetam em grandes planos sequências e muito menos se ousam a fazer os grande desafios de filmagens como os filmes de ação fazem.

 

Tempos Modernos está focada em contar sua história de forma simples e de modo prático. Isso se deve pelo fato de que o filme está mudo. É necessário ter muita imaginação para usar e conseguir entender os momentos onde as legendas não aparecem.

 

Além de uma bela critica ao mudo social, Tempos Modernos é o exemplo perfeito do início do cinema. Um era de inovações e propostas de desafios de desafios, para conseguir melhor cada vez mais a filmagens. Acima de tudo foi uma era de descobertas. Vale salientar que o cinema ainda era um bebê nessa época.

 

(Clica na imagem e veja um trecho de TEMPOS MODERNOS)

 

 

E quanto a isso, toda a equipe foi genial para prender o telespectador a história de Scarlett O’Hara (Vivien Leigh). Ainda mais nos momentos de petí da personagem. Sem contar que o filme tem mais de 3 horas e foi divido em duas partes. Outra obra que vem em mente que ousou a ter tanto tempo assim foi Titanic (1997).

 

Enquanto em Tempos Modernos as câmeras ficavam mais paralisadas, aqui elas ganham movimentos mais reais e de aproximação com quem assiste (a primeira cena é um exemplo). O telespectador é levado a estar junto na história. Ele anda pelos cenários e é como está compartilhando daquilo. Fora os momentos onde temos o focal na face da pessoa e nesses momentos é literalmente como se ela estivesse junto ao você. Esse modelo de filmagem expressa bem como o cinema documentário foi produzido nessa década.

 

A maior evolução está na sua narrativa e no modo inicial de fazer as pessoas estarem nas histórias. Ainda de modo muito inicial, pois o foco mesmo está em Scarlett. Quem iria aperfeiçoar de vez isso seria George Lucas no final da década de 1970 com o grandioso Guerra nas Estrelas.

 

(Clique na imagem para ver um vídeo)

 

Enquanto o roteiro era aperfeiçoado, animações e seres humanos começam a ditar um modelo de filmagem que voltaria a acontecer no final de da década de 1990. Tudo começou com A Canção do Sul (1946).

 

O filme da empresa Disney conta a história do garoto Jimmy e do Tio Remus que vive a contar histórias. O detalhe que os personagens dessas histórias são desenhos animados e os mesmos interagem com Tio Remus.

 

Esse pequeno detalhe foi importante para o cinema, pois iria permitir a interação digital com aspectos reais. Conhecidos efeitos especiais de computação. Muito presente em grandes filmes atuais.

 

Aqui o amadurecimento do movimento da câmera e do roteiro começa a ter maturidade. Embora, nunca chegará a perfeição (pois se chegar os filmes perdem seu brilho mágico). O que salienta aqui é tentativa de inovar na animação. Hoje esse modelo de filmagem é pouco (ou nada) usado, mas serviu muito para melhorar o cinema. Esse modelo de filmagem era uma competição com o cinema documental europeu.

 

Atualmente, A Canção do Sul foi classificado como um filme polêmico pelo própria Disney, o que dificulta o achar. Mas, nada impossível.

 

 

 

(Ao clicar na imagem você verá uma crítica social sobre o filme feito pelo crítico de cinema Max Valarezo).

 

Esses aspectos citados nos filmes anteriores iriam resultar em outros dois grandes clássicos. O primeiro é o Dez Mandamentos (1936).  Mesmo sendo anterior, as primeiras sementes dessa inovação já podiam ser vistas aqui. O filme pode gerar algumas risadas em certos momentos do roteiro, ainda mais quando Moisés (Charlton Heston) aparece sendo inspirado pelo deus dos hebreus.

 

Aqui o roteiro é importante para te envolver na vida de Moisés. De modo que alcance até o público não evangélico. A narrativa te envolve e te faz querer não desgruda. Além disso, ela é rápida. Então, se você não prestar atenção, vai perder muitos detalhes. A câmara aqui é importante para mostrar grandes planos (mais focado nas obras egípcias e o povo hebreu), além de expor com detalhes as cenas. E os efeitos especiais se tornam mágico quando o mar se abre.

 

 

(Seja supreendido como os hebreus com a abertura do mar vermelho ao clicar na imagem)

 

E todos os aspectos resultariam no último e grandioso filme dessa lista: Cleópatra (1963). Primeiro vale lembrar que o filme que quase faliu os estúdios FOX é muito ousado, não só pelo roteiro mais como o tempo. São ao todo 5 horas e 20 minutos.

 

Cleópatra tem um roteiro ambíguo. ou vai amar esse filme ou vai odiar com todas as forças. É mais possível que seja a primeira opção. Pois, não só pelo fascínio histórico, mas por tudo que a Rainha do Egito faz. Joseph Mankiewicz é muito sagaz é conseguir prender a pessoa por tanto tempo assim.

 

As câmeras aqui além de mostrar os planos gigantescos, melhoram nos planos médios e o foco na face dos personagens. Ainda mais quando vemos e acompanhamos as facetas incríveis de Elizabeth Taylor. Os efeitos quase não são muito usados, mas, no breve que se vê chega a parece muito real. Ainda mais nas lutas enfrentadas por Marco Polo. E graças aos feitos desses filmes, temos tantas filmes maravilhosos modernos da atualidade, mas isso é uma conversa para outra hora.

 

 

 

(Veja a cena no original quando Cleopotra chega em Roma, basta clicar na imagem)

 

 

 

Filmes analisados:

Tempos Modernos (1936)

E o vento levou (1939)

A Canção do Sul (1946)

Dez Mandamentos (1956)

Cleópatra (1963)

 

 

 

Texto e edição: Jonatas Seixas

 

 

 

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