ENTRETENIMENTO

Voltar
27/09/2018 | 09h34 | Luís Henrique Lima e Luiz Brito


A sétima arte vem se provando uma ferramente de alto teor cultural e um ode a imaginação. Mas, quando o cinema se tornar um escape dos problemas da vida real e refúgio social pode acarretar em sérios problemas.

 

 

 

 

Nas palavras de um dos maiores cineastas, Orson Welles, “O cinema não tem fronteiras nem limites. É um fluxo constante de sonho”. Ele compara o cinema com um sonho, assim como um dos mais importantes cineastas italianos, Federico Fellini: “Falar sobre sonhos é como falar de filmes, uma vez que o cinema utiliza a linguagem dos sonhos; anos podem passar em um segundo e você pode ir de um lugar ao outro. É uma linguagem feita de imagens. E no verdadeiro cinema, cada objeto e cada luz significa alguma coisa, como em um sonho.”  

 


No cinema atual, a moda são super-heróis e cultura nerd. Um mundo muito distinto do atual, onde homens podem voar, sabres de luz existem, alienígenas convivem entre a população em igualdade e poderes sobre-humanos destroem cidades. Sobre o motivo desses tipos de filme fazerem tanto sucesso, "certamente eles trazem uma sensação que não se explica. O fato de poder desfrutar uma realidade mais fantástica que a nossa faz com que escapemos momentaneamente de nossos corpos e esqueçamos os problemas que temos no momento", afirma Débora Shellyda, estudante e apaixonada pelo mundo nerd.

 

 

 

Esse sentimento de escapismo não é novo na história do cinema. Ele existe desde Viagem à Lua de 1902, quando as pessoas tinham uma experiência de estarem viajando para a Lua. Por mais que essa sensação sempre tenha existido, ultimamente se tornou um remédio para lidar com a realidade.


O problema está no excesso do uso de mídias escapistas, como constata a psicóloga Otília Loth. “Quando vivemos muito tempo em realidades alternativas, perdemos habilidades de convívio social. A gente aprende a se relacionar com outras pessoas mantendo contato com outros indivíduos. Se esse contato não é feito, seja por quaisquer motivos, não saberemos como reagir e isso trará uma imagem social negativa para a pessoa”.

 


 

(Cena clássica do filme Viagem a Lua (1902))

 

A dificuldade de interação social torna-se cada vez mais comum na sociedade atual. "O refúgio em objetos que nos permitem escapar da realidade sempre existiu, porém não era algo tão acessível quanto é hoje em dia. Por isso o individualismo ocorre com maior frequência no momento", pontua a psicóloga.


Por outro lado, o uso controlado dessa experiência é muito importante, de acordo com Nicolau: "Gosto de ficar lendo, escrevendo e assistindo filmes, se pudesse faria apenas isso. Porém, sei que em excesso não é adequado. É bom imergir em um mundo fictício, mas sempre lembrando da existência do mundo real. Ele não vai deixar de existir ou mudar. O ideal é o equilíbrio", relata. De acordo com Mello, esse equilíbrio é sustentando pela ajuda que os filmes proporcionam ao enfrentar ou acompanhar sentimentos pessoais.

 

------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------------

 

CRÉDITOS

 

Reportagem: Luís Henrique Lima e Luiz Brito

Edição/Pauta/ Fotos: Jonatas Seixas

Frame do fime: Divulgação via Plano Crítico

 

 

Compartilhe: