ENTRETENIMENTO

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08/06/2018 | 14h53 | Elisama Ximenes

Fica 2018 – As novas cidades precisam de uma sustentabilidade humana


Fredox Carvalho

Segunda mesa ambiental do Fica 2018 debateu “Novas Cidades”;

 

Marcella Arruda e Peter Scholten trouxeram para a segunda Mesa de Meio Ambiente do Fica 2018 o debate sobre como construir Novas Cidades. A mesa, mediada pela professora Raquel Teixeira, ex-secretária da Seduce, deixou o Convento do Rosário lotado. A prefeita da cidade de Goiás, Selma Bastos, era uma das presentes, além do especialista em trânsito Horácio Figueira, a superintendente de educação da Seduce, professora Zenilde Teixeira, o presidente do Conselho Estadual de Cultura, Donizete de Carvalho, a diretora do Museu Zoroastro de Goiânia, Neusa Almeida, e de Nasr Chaul, a quem Raquel chamou de pai do Fica.

 

Tanto Marcella quanto Peter destacaram a importância de pensar uma sustentabilidade humana antes de pensar soluções para uma cidade mais sustentável. Peter explicou que é importante discutir a cidade, porque é preciso pensar em soluções urbanas. “Mais da metade da população mundialvive em espaços urbanos, então é importante pensar a sustentabilidade nesses espaços, porque a polução cresce e se concentra nas cidades”, explica.
Marcella, que é arquiteta e pensa a apropriação do espaço urbano pelas pessoas, lembra que é preciso pensar numa crítica indígena ao “homem branco”, quando dizem que o problema é o desenvolvimento, mas não no sentido conhecido, e sim no sentido de que o ser humano deixou de se envolver com a natureza e o espaço que o cerca. Ela ainda discute o termo permacultura, que é pensar uma cultura que permanece, que cria ciclos, como é o caso, por exemplo, da compostagem.

 

Peter, que veio da Holanda falar das complexidades de se pensar uma cidade sustentável, destacou ainda a importância de as políticas individuais para o meio ambiente dialogarem entre si. “É preciso que haja uma conexão, que quem é responsável pelas águas não pense só nas águas, mas pense, também, de maneira global”, destaca. Em sua fala, Marcella também traz esse conceito e ressalta a importância de o ser humano voltar a se envolver com o espaço que os rodeiam. “As pessoas, cada vez mais, compartilham os espaços, mas não interagem e a mudança disso é extremamente importante para que haja a apropriação humana dos espaços”, explica.

 

Ambos trouxeram exemplos de como se apropriar dessa mudança. Marcella mostrou um vídeo da primeira intervenção que fez na cidade de São Paulo. Nele, aparecem crianças brincando em balanços de pneus pendurados no viaduto do Minhocão, um dos mais movimentados da capital paulista. Peter Scholten encantou-se por conhecer o que tem sido feito no Brasil e ressaltou a importância de pensar os problemas globais com soluções locais.

 

Peter falou das mudanças climáticas, que são reais. “Tivemos um aumento dramático da temperatura global nos últimos anos e, ao mesmo, tempo, temos os líderes mundiais discutindo a sustentabilidade há mais de 15 anos”, provocou. Para ele e Marcella, a solução tem que ser, antes, local. “A gente só vai conseguir trazer soluções ambientais para a cidade se a gente se conscientizar antes”, reitera Marcella.

 

Peter lembra que os problemas são complexos, mas o importante é pensar as soluções nessa complexidade. “É preciso pensar fora da caixa”, afirma.

 

Fica

Os dois palestrantes disseram estar muito encantados com a cidade de Goiás. Marcella chegou a falar que considera esta uma cidade modelo, em que as pessoas se apropriam dos espaços que já existem. “É incrível que essa mesa não esteja sendo realizada em um auditório tradicional, mas nesse espaço aberto e bonito do Convento do Rosário”, elogiou. Peter também ressaltou a beleza de Goiás e o prazer que sente em estar aqui.

 

A professora Raquel Teixeira aproveitou a deixa para lhes falar sobre o Fica Atitude e as iniciativas que os jovens estudantes de ensino médio do Estado de Goiás tem tomado para realizar soluções sustentáveis. “Temos visto o jovens daqui se apropriar dos espaços urbanos para construir soluções sustentáveis”, destacou a professora.

 

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